Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Mergulho no abismo...

 

 

Sentada no alto do pequeno rochedo, vislumbro o elemento natural que me foi imputado nos ínicios de vida. As ondas batem na areia e o som desperta-me os sentidos. Melodias que só o mar consegue trazer. O som dos que nele pereceram e dos que nele nasceram. Os segredos que esconde. As gaivotas pairam no ar em busca de alimento e poderia ouvi-las a milhas. O cheiro da maresia enche-me os pulmões uma e outra vez. Abre-me os bronquios e atropela-me a mente que busca desenfreadamente dividir aquele cheiro tão único em vários elementos. Apesar do sol encoberto, um calor abafado faz-me suar e deixa o meu corpo pegajoso. Sinto-me, pela primeira vez, desconfortável. viro-me de costas para a aragem, de forma a absorver um pouco de brisa mas em vão. Mais uma onda bate na areia como que se a lambesse. Como se mar e terra se completassem ali mesmo. Na praia, cavalos selvagens galopam vindos dos pastos de outra zona da costa. Consigo ouvir-lhes o arfar. A respiração acelerada. Invejo-lhes a imponência e rapidez. A elegancia equídea que me mostram a cada troca de patas. O sacudir de crinas levadas pelo sopro do vento abafadamente doentio. A beleza num animal. A inteligência de pertencer a dois mundos, ao seu e ao do Homem. O erguer o corpo em sinal de desafio.

 

Ergo-me. Abro os braços... O vento pára naquele preciso instante. Sinto-me pequena perante tamanha imagem do abismo entre o cimo do rochedo e o mar. Tiro a túnica que me cobre o tronco e deixo parte do meu corpo nu. Uma faixa cobre-me os seios. Uso umas calças de linho confortáveis que não me prendem os movimentos. E estou descalça para me sentir ligada à Terra, para me fundir com ela... Solto o cabelo que me cai pelas costas. Sinto um arrepio. O vento volta a silvar ao meu redor. Ouço mais uma vez as gaivotas e o relinchar dos cavalos na areia. Sons que mais uma vez se fundem. Tomo balanço com uma certeza inesperada. Como se estivesse à espera daquele momento toda uma vida. Inspiro mais uma vez o cheiro do mar, absorvo toda a sua força, fecho os olhos e atiro-me do rochedo...

 

 

 

A minha alma ouve: Enya - Adiemus
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Escrito por Capitã_de_vida às 09:46
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