Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Quando as vontades se atropelam dentro de nós!

 

Fecho os olhos...

 

O meu corpo embate na água e desce de uma forma vertiginosa. Sinto todos os músculos contraídos. As têmporas latejam. O impacto violento sacode-me as vertebras. Não sei a que profundidade estou. Nunca soube calcular isso. Sinto a pressão da água. O quanto nada sou na vastidão do Oceano. O borbulhar à minha volta. O som do Mundo que ecoa dentro do meu peito. Tudo se resume a isto. A um mergulho no vazio. A queda de um corpo. Se quisermos, a queda do perecer de nós enquanto seres vivos. Deixo-me ir... 

 

O coração bate descontroladamente. Venho a mim.

 

Abro os olhos num rasgo de tempo e viro-me. Tento não me descontrolar. Concentrar-me num só ponto. Impulsiono o meu corpo e nado até à luz. O vazio, o negro da profundidade ficam para trás. Para o fundo de outro mundo. Onde eu, como humana, apenas pertenço momentaneamente.

 

Consigo emergir e inspiro. Tusso. Expiro. Engasgo-me com a água salgada. Inspiro novamente com mais calma enquanto movo os membros para me manter à tona. Sinto-me tonta. Estou a tremer. O sol encandeia-me. Não sei quantos segundos passaram. Sinto-me a desfalecer mas busco forças supremas dentro de mim para me manter à superfície...

 

 

 

 

Tantas vezes repeti esse gesto. Nadar para respirar. Para depois mergulhar novamente em busca do que de mim consegui resgatar. Os meus bens mentais essenciais de sobrevivência. Para não ser levada para o profundo negro. O qual em nada se identifica comigo. Com a minha ânsia de viver. De ter forças necessárias para absorver o que me rodeia; aquilo que observo e creio, apenas para mim, que seja hediondo e vulgar.

 

 

Hoje será mais um desses dias. Nadarei até à praia. Por mais distante que esteja. Nadarei. Posso um dia não o conseguir. Mas hoje roubarei forças à minha essência para o fazer. E quando chegar à areia, a Terra firme, beijá-la-ei. Porque a conquistei mais uma vez.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Volto ao rochedo uns dias depois. A minha túnica estava lá. Fora levada pelo vento e ficara presa num arbusto espinhoso. Ainda cheirava a mim. Como tudo o que toco e todo o lugar que passo...

 

 

 

 

A minha alma sente-se: suprema
A minha alma ouve: Enigma - Hallelujah
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Escrito por Capitã_de_vida às 20:18
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