Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

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    Já há muito que as memórias me assolam a mente em dias que não preciso de as recordar. Com elas o abismo entre o sonho de ter e a obrigação de ser. Vindas do mar que atravessei, usando mecanismos de defesa, ideais, sentimentos e valores que outrora me injectaram na mente porque acharam ser os mais correctos. Muitos deles prevalecem ainda. Outros absorvi-os através de pequenos raios de luz, de um Sol que raramente aparecia, que me serviram de alimento para sobreviver nas travessias de tempestades de dor e embates nas ondas de incertezas. De noites que pareciam dias e dias que nunca pareceram noites porque sempre o foram.

 

    Atraquei num porto que me pareceu hospitaleiro. Estávamos em Setembro. Fim de tarde. Pela primeira vez, em meses, vi o Sol escondido por detrás de pequenas nuvens rosadas, e senti-me novamente em casa. Peguei na minha saca, com os meus pertences, atei os cabelos ressequidos do sal e desci a prancha, do meu barco de vida, que dava até ao cais....

 

   Este foi o início de uma longa caminhada que fiz de fora para dentro de mim. O vasculhar do meu âmago e o abrir das feridas com os dedos salgados. A cura. A descoberta do ser. A quebra dos vícios mentais. A estagnação da imaginação dos navegantes. Porque têm imensa imaginação. E são sonhadores. Sabem melodias do mar e com elas saqueiam o vento a seu favor. Puxam a âncora dos desejos mais intímos e sacodem-nos da capa para que terceiros não os vejam, porque estamos num período de gente curiosa e ágil de pensamento. E os navegantes são novidades para as gentes daquela terra onde atracam. Porque desencadeaim um fervilhar nos corpos, de quem os observa, puxado pela forma como se mostram. Porque as pessoas pensam no quanto são livres, porque não têm um porto seguro, pensam naquilo que os navegantes aprenderam, viram e sentiram nesses mares, pensam no nascer do dia, muitos dias, que terão presenciado e como amaram a lua que não os deixou cair na insanidade quando mais nada vêem se não a imensidão do que ainda falta atravessar...

 

 

   Segura de mim, sou... Navegante do que já naveguei e do que ainda falta navegar...

 

 

 

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Escrito por Capitã_de_vida às 14:43
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4 comentários:
De NEOABJECCIONISMO a 4 de Dezembro de 2008 às 17:52
Olá capitã_de_vida. E eu aqui, marinheiro disfarçado de neo, abismado de ver meu capitão amado, soltar as amarras da memória. Força capitão, as palavras são tão belas que fico ansioso, mas sereno, enquanto aguardo que se soltem as sequelas da memória.
Adorei J...o segredo, a confiança, a amizade.
Beijos amigos


De Capitã_de_vida a 4 de Dezembro de 2008 às 18:27
Obrigada meu querido amigo! És o primeiro a saber;) Pegarei no que já fiz entretanto e plantarei estas sementinhas para que germinem... Pode ser que floresça daqui algo bonito:)

E quero sempre as tuas sábias palavras para mudar seja o que for:)

Beijinhos


De NEOABJECCIONISMO a 5 de Junho de 2009 às 22:04
Eia! Capitã.
Sou o Samuel há tanto ausente, um beijo amigo cheio de saudade.
Hoje para te dedicar um prémio apetecido que acabaram de me encomendar.
Desejo que esteja na maior das felicidades, nos primeiros dias do resto da tua vida.
Beijinhos


De Bubok.PT a 17 de Outubro de 2009 às 20:05
Boa tarde Capitã.

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